As 13 guerreiras de Mishki Cacau.

Que alegria eu tenho em contar essa história de 13 Mulheres Guerreiras.

No Peru, em uma região pouco turística, existem pequenos povoados nativos com projetos incríveis.

Guarde esse nome quando pensar em projetos sustentáveis: Próximo a Chazuta, que fica perto da Capital Tarapoto, no Estado de San Martin, na floresta Amazônica do Peru.

 

O primeiro: Mishki Cacao

 

Fiquei mais de um mês vivendo em um pequeno povoadinho chamado  Llucayanacu, em uma Hospedagem de terapias holísticas (mas isso é assunto pra outros lindos posts). E lá todo mundo me falava ‘’você tem que comer chocolate do ”Mishki Cacao’’.

 

Mas o que é esse tal de Mishki?

Olha que antes de contar à história, que conheci pessoalmente, busquei na internet se alguém conhece, mas creio que ainda é um projeto que inspira muito naquela região embora não tenha repercussão internacional.

 

São mulheres empreendedoras para o reconhecimento do seu trabalho.

 

O Peru consegue ser mais conservador e patriarcal que o Brasil.

 

Há mulheres independentes, mas essa ainda é uma porcentagem pequena.

Em um pequeno povoadinho chamado Chazuta, onde décadas dos anos 80 e início dos anos 90, a produção de coca cresceu exponencialmente na região, com conflitos e violência do narcotráfico.

Que foram erradicados pelo governo ao promover oportunidades de culturas alternativas e fumigações. Hoje a zona é famosa pelo cultivo de cacau e eis que nesse meio majoritariamente masculino, surge um projeto revolucionário para a vida daquelas mulheres.

 

Eram ”mulheres comuns”

(não sei onde isso devia ser comum, mas ok)

 

Viviam para serviço doméstico e agricultura familiar junto com seus esposos.

Mas tinham desenvolvido uma culinária única, você já ouviu falar de Chocolate Branco sem ser da manteiga do Cacau? Uma semente idêntica com a do Cacau só que Branca? O nome disso é Majambo (pronuncia-se Marrambo). O sabor é diferente do chocolate branco, mas não deixa de ser fantástico!

Essas mulheres cozinhavam de maneira totalmente artesanal, no quintal da casa, manualmente… Torrando as sementes no fogão a lenha, quebrando as sementes no pilão…  E um dia, uma empreendedora da Capital Lima, passeando pela Região, conheceu o trabalho delas e decidida que esse trabalho era tão lindo que deveria progredir.

 

Conquistaram apoio financeiro governamental para capacitação em liderança, gerenciamento de negócios e associatividade.

As mulheres foram para a Capital e se inscreveram em Concursos de Chocolate e chegaram a ir para França para receberem o premio de 2° lugar com o melhor chocolate do concurso. Receberam o prêmio que equivale a R$ 30,000 que foi revertido a investimentos no projeto.

 

Arquivo pessoal Mirella Arruda.

 

E os esposos dessas mulheres?

No Brasil, com mulheres mais empoderadas já é fácil escudar ‘’Mas o que eles têm a ver com nosso trabalho?’’

No Peru, poucas mulheres são independentes financeiramente e quando essas decididas a sair e trabalhar no que gostam, abdicando dos trabalhos na casa, os maridos ofereceram a elas uma única alternativa ‘’Desistem do trabalho e voltem para a casa se não vamos solicitar o divorcio ’’.

Claramente pensaram que elas se sentiriam intimidadas, pois também não é um país com muitos divórcios. E muitas dessas lindas e fortes mulheres, se separaram desses embustes. Algumas se reconciliaram depois deles aceitarem as condições delas. E tem mais… Essa é uma zona do Peru com forte produção de cacau e é muito melhor para o produtor ter a segurança de um comprador para o cacau. Os maridos/ ex.maridos eram pequenos produtores de cacau e assinaram um contrato de fidelidade de entregar a produção para a Fábrica de Chocolate das mulheres? Agora elas são as chefas.

E hoje? Elas têm sua própria fábrica na cidade de Chazuta, com produção artesanal que agora incluem tecnologias mecânicas. O projeto cresce e essas mulheres inspiram!

 

E esse chocolate?

Tem um sabor tão único e ao mesmo tempo especial. Que recomendo a todos irem até lá só pra comer… Mas se for, calma aí que tenho uma super lista de outros projetos para conhecer…

Encontrei esse vídeo no Youtube –  o idioma esta em Quechua (idioma nativo do Peru) e em Espanhol, mas retrata muito bem o cenário.

 

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