A Terra do Nunca, o mundo paralelo de uma mulher que vive viajando.

O clássico post de apresentação nada mais é do que explicar toda essa loucura que é escolher ser nômade.

 

Oiii, Mirella Arruda, 21 aninhos, nenhum diploma, raízes aéreas, medos claramente reais – como cair de skate. Com fé de que você atrai o que vibra.

 

Arquivo Pessoal Mirella Arruda.
Acampando no Deserto de Huacachina – Peru.

 

Desde criança me fazem a pergunta ‘’Em que mundo você viver?’’ Provavelmente tenho o meu mundo paralelo, com seres mágicos, com milagres que acontecem só pelo fato do sol nascer. Uma alegria gigantesca em estar vivo que me faz andar dançando, o que me move é o amor, sem ele, minha luz apaga.

 

Um fato: Estar consciente das desvantagens impostas por ser mulher e não aceita-las.

Um ideal: Aceitar a mutabilidade da vida como processo natural para evolução.

 

8 meses sozinha, de carona, 4 países, a viagem não terminou. Mas por onde começou?

 

Leia também meu post no Blog Mochileiros

 

Sempre escuto ‘’Mas quando você começou a querer isso?’’

Eu deveria ter como 6 anos, morava em uma cidadezinha de 2 mil habitantes, chamada Santo Antônio do Paraíso no Paraná – BR, pegava minha mochila de colégio, e saia peregrinar por todas as trilhas , estradas de terra que encontrava. Minha mãe, sempre preocupada, me encontrava no meio do mato ou na saída de alguma trilha ‘’Filha, porque faz isso?’’ ‘’Mãe, estou buscando aventura’’.

 

A busca de aventura segue firme e forte

  • Até os 19 anos

Os anos passaram, eu cresci, e a sociedade me fez acreditar que minha essência aventureira não era útil para o mercado e que uma vida aventureira era arriscada demais para uma mulher. Que eu deveria ser uma adulta séria.

Estudava o ano inteiro para entrar em uma instituição pública.

E vendia bombons no colégio/cursinho para ter dinheiro para uma câmera profissional para registrar minhas aventuras e também para poder viajar, eu nunca tinha viajado de avião, aliás, na minha cabeça viver viajando precisaria de muito dinheiro, então eu teria que entrar na faculdade, trabalhar muito, juntar dinheiro e só mais tarde viajar, muitos dos viajantes que ‘’largam tudo e vão viajar por 10 anos’’ fizeram esse processo.

Permaneci dois anos no cursinho com muitas articulações para contar com o apoio do meu pai para fazer vestibular em lugares como Florianópolis, conhecer a ilha mágica e cumprir a missão institucional.

 

  • Dos 19 aos 20,5 anos

Um belo dia, meu pai me disse ‘’Filha, está na hora de entrar na faculdade’’. E eu passei na Estadual de Goiás para Arquitetura e Urbanismo, fascinada pela natureza do estado. Tem Chapada dos Veadeiros, tem Terra Ronca, Pirinópolis, infinitas cachoeiras, cerrado, Distrito Federal, nossa, viajar muito, acampar muito!

 

O meu processo de tentar entrar e uma instituição foi frustrante, eu não queria só uma carreira e muito menos permanecer no mesmo ambiente universitário por anos.

6 meses, entre o amor a arquitetura e os conflitos com o modelo de ensino.

6 meses, entre impermanência na faculdade por buscar viajar.

6 meses, eu não reprovei em nenhuma matéria, mas reprovei no meu propósito de liberdade, aquilo não era pra mim.

 

Tranquei a universidade na primeira oportunidade e voltei para a cidade que vivia antes, Londrina – PR

 

Eu tinha muitos planos e ao mesmo tempo muitos padrões construídos. E meus pais esperavam sensatez, que eu agisse de acordo com o meio, eles me conhecem muito bem, mas é complicado lidar com alguém que quer mais do que o obvio, muitas vezes essas pessoas aceitam o abafamento como natural.

 

  • 2,5 anos
Fixa, em Londrina, permaneci algumas semanas…

Até o dia que alguns franceses chegaram na minha casa por hospedagem solidária e eu em um impulso, segui de viagem com eles pelo carnaval.  Um acampamento que durou mais de 10 dias no meio da floresta. Os mais sinceros dias com uma experiência que revolucionou a minha vida e me impulsionou a viver a vida dos meus sonhos. Muito amor e gratidão por essa história.

 

Era impossível voltar à vida que eu levava antes.

 

Arquivo pessoal Mirella Arruda
Com os Franceses a caminho de Faxinal – BR.                                               Com os meninos perdidos a caminho da Terra do Nunca.

 

Liguei para minha mãe, pedi desculpas, mas segui minha intuição, fui com os franceses de carona até a fronteira e um dia a convivência com eles já não era mais sustentável, era necessário permitir-me crescimento individual.

 

A realidade era outra…

Eu tinha muito medo, sozinha na fronteira, nunca sai do Brasil, tenho pouco dinheiro na conta, sou mulher, não sei falar o idioma, a fixa caiu e cheguei a pensar em desistir… Por sorte, estava da casa de uma das minhas melhores amigas, quem não conhece a Heloisa Fujita, recomendo a todos conhece-la, ela foi e é o meu porto seguro, aquela amiga pra todas as horas.

Um argentino malabarista me disse ‘’você desenha muito bem, pode ganhar dinheiro com isso’’.

 

Arquivo Pessoal Mirella Arruda.
Vendendo desenhos em Foz do Iguaçu – BR.

 

Agora vou vender a minha arte!

Comecei a desenhar e fazer marca páginas, estender o pano em Foz do Iguaçu, oferecer nas feiras  e aguardar colaborações voluntárias, elas realmente chegavam, naquele momento, serviam como fertilizantes, vai menina!

Buscando força, eu estava a um pé de começar uma longa jornada em busca do meu melhor, frio na barriga, renunciar tudo por medo e voltar seria como me anular.

Uma semana depois, lá estava eu, seguindo meu coração, sozinha, cruzando a fronteira…

Aguarde os próximos capítulos.

 

Trilha sonora Memória Viva Guarani. 

 

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