Carona sozinha no Norte Argentino – Coragem e emoções.

Foi difícil sair de San Marcos até tomar um impulso, porque tive que enfrentar meus medos, agora era eu por eu, longe demais do meu país.

A minha professora de tarot me disse que já era hora de retornar ao Brasil, disse que se eu seguisse na estrada estaria enfrentando histórias que ainda não eram a hora de serem enfrentadas e que se eu não a escutasse, isso poderia custar minha vida. E que para eu confirmar o que ela disse, me disse: Você vai sair daqui de San Marcos agora, tudo vai lhe passar muito bem, mas um dia vai ficar muito triste e essa é a hora de voltar, vá rápido para sua família.

 

E foi assim que enlouqueci.

Peguei e arrumei minhas coisas na primeira hora de um domingo, era o dia de sair de lá, mas as coisas não foram muito planejadas e acabei me atrasando, pois tinha que me despedir de muitos amigos, quando enfim eram 14 horas da tarde (o indicado é sair muito cedo), estava a maluca pegando carona na estrada e falando que chegaria na Bolívia (1.100 km distancia da onde eu estava).

arquivo-pessoal-@mirellarruda
Recadinho fofo de amigas argentinas em minha despedida de San Marcos Sierra. Extraño mucho a todos!

 

Play caronas!

Peguei a primeira carona, e me lembro de olhar pela janela e pensar ”problemão se eu tiver que dormir na estrada, porque é desértico” Sim, não havia vegetação, a minha barraca seria muito visível, e fora que a temperatura caia para baixo de – 0 c°. A unica coisa que eu tinha era fé e foi ela que me fez chegar tão longe. (foto de capa retrata o momento)

” Peguei um ônibus até uma cidade próxima que era maior. Em menos de 5 minutos, peguei a primeira carona na saída da rodoviária.

Depois a segunda, a terceira e cheguei às 18h em uma estação de caminhões. Fui muito bem recebida! Comecei a fazer tarot e quiromancia com os senhores que cuidavam da estação. Eles me perguntaram para onde eu queria ir, pois possuíam todo o controle de fluxo dos caminhões e assim, me arrumaram um que me levaria a menos de 100km do meu objetivo de 850km.

Fui! Viajei confortavelmente à noite toda com um senhor muito simpático. Dormi dentro do caminhão enquanto ele dirigia. Ele me deixou em um posto de combustíveis às 6h da manhã e lá peguei outra carona com professores de uma universidade e dessa forma, completei os 100km finais chegando ao meu destino.”  – Trecho retirado do meu post no Blog Brasileiras pelo Mundo.

Veja esse post completo clicando aqui. – Dicas para pegar carona viajando.

 

Até então eu nunca havia pego carona sozinha no exterior e muito menos para uma distancia tão longa, sei que sou uma pessoa com traços impulsivos e muita fé. Pensei inclusive que tinha a possibilidade de chegar apenas a 200km de San Marcos. Mas eu estava preparada: Barraca, saco de dormir. Ufa, não precisei fazer isso, até então, deu tudo certo.

 

Música que representou o momento foi:

Anjo mais velho do Teatro Mágico – Veja no Youtube clicando aqui.

”Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto… Depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar…”

 

Chegando em Jujuy… Estado fronteira com a Bolívia.

A vegetação já era completamente diferente, tudo era muito lindo, eu me sentia em um filme, paisagens desérticas, montanhas coloridas, assunto pra outro post.

Eu, cansada mas orgulhosa de ter conseguido fazer tudo aquilo, eu realmente podia pegar carona sozinha, sem medo. Queria erguer um troféu. Porém, eu estava sozinha, em um lugar muito desértico sem ter planos. Estava pensando para onde ir e recebi uma mensagem que me deixou muito triste, uns conflitos pessoais, recordo de caminhar pelas ruas de Jujuy Capital com muita raiva e chorando.

 

O que a bruxa, minha professora disse… Fazia todo sentindo.

Não sei, eu apenas queria tomar um banho, comer, tentar clarear a cabeça. Sorte que perto dali, em uma pequena cidadezinha, uma amiga brasileira tinha um amigo, que topou me receber. Cheguei sabendo que não era a melhor companhia para o momento, eu estava triste e sem rumo.

 

arquivo-pessoal-@mirellarrudaarquivo-pessoal-@mirellarruda

 

Pensei em não ir para o Brasil, cogitei Chile, mas a minha professora me escreveu ”Direto ao Brasil, da maneira mais rápida possível, pede ajuda para seus pais e vá de avião”. O que? Eu estava praticamente no deserto, um avião para o Brasil, pedir esse valor aos meus país? Não mesmo.

Nesse momento eu tinha pouco dinheiro e decidi que iria guarda-lo para cruzar a Bolívia de ônibus, forma mais barata, e chegar até na fronteira do país com o Brasil.

Depois de uns dias descansando, a flor murcha, eu, sai com destino Brasil, fui para estrada novamente pegar caronas (Na foto eu comemorando a liberdade de estar pegando carona sozinha, retrata eu naquele exato momento) com destino a umas cidades muito famosas do Norte Argentino, a primeira Purmamarca, queria aproveitar as ultimas cidades já que logo planejava estar no Brasil… Mas nem tudo ocorreu como o planejado…

 

 

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