Um recomeço em La Paz

Mas você não estava doente? Quase morrendo?

Quando cheguei em La Paz me sentia muito melhor, era incrível como eu havia passado meses doente e agora eu tinha melhorado muito em um curto tempo. Você acredita em milagres? Pois foi isso que todos acreditamos ser. Uma força maior me disse que o meu caminho certo estava em ir para aquela cidade e eu apenas a escutei.

Cheguei sozinha, pinguei de hostel em hostel até reencontrar algumas amigas argentinas, que passávamos parte do dia juntas, conhecendo a cidade.

 

Sobre a cidade:

A famosa Cidade Maravilha, que te coloca em seus pés com Maravilha não ter nada a ver com seu gosto pessoal, La Paz te ensina a olhar com mais humildade para diferenças, não é porque é uma cidade diferente de tudo que nós consideramos como qualidade de vida, que se tornaria uma cidade feia, seu povo se orgulha dela.

La Paz é uma cidade única, com suas casas empilhadas de tijolos á vista, suas ruas apertadas, seu fluxo continuo de pessoas caminhando por todos os cantos, seu trânsito bagunçado com muitos carros coletivos. É a cidade do excesso, nada ali é meio termo, o ar é muito seco, a comida é muito forte… A cidade se mostra viva nas cores do seu povo, que vestem o arco-iris e decoram seus dentes com ouro.

arquivo-pessoal-@mirellarruda
Foto tirada do teleférico da cidade, um dos mais famosos meios de transporte, que contribuiu para aliviar um pouco o fluxo de automóveis nas ruas. Foto: @mirellarruda

Essa cidade me ensinou muito sobre respeito, assim como todo povo boliviano. Temos muitas vezes um pré-conceito de julgar o país, como ”pobre, precário” talvez seja, mas lá estão as pessoas lutando para viverem bem. E o Brasil, como o país mais rico da América do Sul, não deve jamais se julgar superior por isso.

Dediquei meu tempo na cidade para viver toda sua intensidade, observar as ruas e as pessoas, conhecer a famosa Rua das Bruxas, com seus fetos de llama vendidos para sorte. Sentir a energia da fé desse povo, que carrega em sua ancestralidade a força da fé na Pachamama (Mãe Terra).

 

O povo: as suas mulheres.

As mulheres, senhoras, mamitas, as matriarcas, com orgulho, as que geram vida são a cara do país, estão por todas as ruas, em suas bancas vendendo seus produtos. Mesmo em uma sociedade machista, antes disso, a mãe é a rainha honrada no país.

O capitalismo boliviano é expressivo em nas ruas de sua capital, onde se apresenta da forma que seu povo escolheu: é o pequeno, é o senhorzinho com sua barraquinha que o revende. Não têm grandes lojas, não há shopping, pra encontrar tem que falar com pessoa por pessoa, não há um site efetivo de busca por internet. Cartão de crédito? Poucos estabelecimentos.

 

Como eu me sentia

A cidade me presenteou com momentos incríveis em um cenário jamais pensado, quando me vi, estava muito feliz, novamente com meus amigos e alguns belgas haviam se somado, festávamos muito juntos e alegria era contagiante.

Mas eu ainda precisava respirar, um ar mais puro que o da cidade e um clima mais tranquilo, eu havia passado por momentos muito difíceis que me levaram a uma grave doença e ainda estava em estado de recuperação, precisava de calma e espaço para reflexão, então peguei um ônibus e fui com uma amiga para Copacabana.

 

 

 

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